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[Quarta-feira, Maio 28, 2008]
me irrita que de novo
perca tudo com a cabeça
enfiada dentro do
livro, o centro do Rio aos poucos
se afastando e o de Niterói
que se aproxima
do deque penso o tempo todo na
barca virando, caindo
lentamente em direção
ao mar – tão escuro
e espesso – e
na falta de coletes salva-vidas
por perto
também naquela história de Camões
naufrago, salvando as Lusíadas
e deixando seus companheiros à
morte em Macau
mas é tudo o mesmo
movimento sacolejante entre
duas cidades.
isso de mar e
morte, poesia e
paranóia. a distância que
nos separa dos dois
pontos. a importância
do que está no
meio.
por carlos calenti * 3:16 AM
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[Quarta-feira, Maio 07, 2008]
to be continued...
todos os dias ruins
carregados na bolsa cheia
de bottons nas dobras do
moletom com o qual caminha
pela cidade cambaleante se
perguntando se vai chover tateando
no fundo entre os papéis
amassados o guarda-chuva que
decidiu nunca mais
comprar (se vai perdê-lo
de qualquer forma) enfrentar
as ruas caóticas do Rio
de Janeiro só com os fones
de ouvido uma vaga
lembrança de outras cidades
o mistério do que será
a paixão nesses novos
lugares e as primeiras
gotas: o que virá
a seguir?
por carlos calenti * 2:14 AM
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[Quarta-feira, Abril 16, 2008]
poética
quem sabe então
estancar o ritmo
pôr caroços imprecisos
no tecido liso
frames pornográficos
no desenho disnei
esconder segredos
truncar a mensagem
não te dizer a verdade
interromper o fluxo
len
ta
men
te
estar vivo
por carlos calenti * 3:23 AM
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é tipo um big brother de poesia?
sabe que eu evito falar de poesia nesse blogue. quer dizer, o fato de ultimamente eu só postar poemas já o deixa sério o bastante, precisa falar sobre eles ainda?
eu juro juro que o pulp tem vontade própria. aos poucos ele vai tomando um rumo e quando eu vejo, puf, já foi. bem que eu queria que ele fosse todo sacadinho e gracioso, mas num rola.
enfim, só pra dizer que eu decidi colocar essa espécie de work in progress aqui. porque o blogue todo é uma espécie de work in progress. e porque eu achei que ia ser bacaninha.
(a poesia que sobreviveu ao paredão é a do post acima)
poética
se nesse fluxo
ainda vale a
pena estancar
o ritmo
colocar caroços
imprecisos no
tecido liso esconder
segredos truncar a
mensagem
não te dizer a
verdade interromper
len-ta-men-te estar
vivo
quem sabe
estancar
o ritmo o fluxo
pôr caroços
imprecisos no
tecido liso
poética
quem sabe
então estancar
o ritmo pôr
caroços imprecisos no
tecido liso frames
pornográficos no desenho
disnei esconder
segredos truncar
a mensagem não
te dizer a
verdade interromper
len-ta-men-te
estar vivo
poética
quem sabe
então estancar
o ritmo pôr
caroços imprecisos no
tecido liso frames
pornográficos no desenho
disnei esconder
segredos truncar
a mensagem não
te dizer a
verdade interromper
o fluxo len-ta-men-te
estar vivo
poética
quem sabe
então estancar
o ritmo pôr
caroços imprecisos no
tecido liso frames
pornográficos no desenho
disnei esconder
segredos truncar
a mensagem não
te dizer a verdade
interromper o fluxo
len
ta
men
te
estar vivo
por carlos calenti * 3:20 AM
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[Segunda-feira, Abril 07, 2008]
certos bilhetes e nada mais
o orgasmo primeiro,
magnífico,
explodindo em galáxias
nebulosas planetas buracos
negros também
naquela mesa
de bar nós a poeira cósmica
na minha língua
embotada o sol
em qualquer constelação
no mês de março
uma supernova no
peito e os corpos
celestes que
não se tocam
nunca
por carlos calenti * 5:53 PM
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[Segunda-feira, Março 24, 2008]
uma cidade feita de cheiros
e música
o caminho que corria até ele
e não sei por que
continuo percorrendo
o calçadão de icaraí
inconscientemente
jenny canta em meus ouvidos
sorrio na distância?
os meninos bonitos não
entendem nada
falo sozinho
mergulho no cinema mais
próximo
niterói ainda cheira exatamente
igual quando amanhece
o sol alcançando aos poucos
os prédios que encaro
do décimo andar
as histórias que mais me emocionam
são de estranhos
o telefone verde ocupando
o lugar do cochicho
me esforço pra conseguir
alinhavar tudo
contar do meu jeito
estou em stand by
ainda
por carlos calenti * 12:12 PM
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[Quinta-feira, Março 06, 2008]
MOTHRA
Vermes gigantes invadiram a cidade
Godzillas melequentos
Enchendo os prédios de gosma
De cima a baixo
Por todas as ruas
Gente presa em sua substância maldita
Mosquitos no âmbar
Encarando com nojo eterno
os raros passeios
dos casais paranóicos
aventurando-se rapidamente fora
de seus falsos bunkers
Nós nos achamos imunes
Percorremos as avenidas
Com resoluta revolta
Grupos de guerrilha contra a
Gosma inexorável
Carregando punhados de sal
Em nossos bolsos
Armas quase inofensivas dada
A pouca força de nossos poucos braços
Já participamos de batalhas espetaculares
Já matamos e já morremos
Em nossos laboratórios secretos
Tentamos criar nossa própria meleca
Ainda que não saibamos ao certo
Como utilizá-la
Mas
Cantamos o futuro com afinco
Acreditamos mais nele do que no que vemos e no que sentimos
O futuro é vivo
É a gosma que escorre em nosso sangue
Esperamos.
por carlos calenti * 7:07 PM
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[Segunda-feira, Março 03, 2008]
e, enfim, niterói ainda tem o mesmo cheiro quando amanhece.
por carlos calenti * 6:03 AM
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[Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008]
bilhete
não é uma carta de intenções. nem um inventário do que se volta a ser depois. tem que se entender que poesia não é purgação das suas frustrações. entenda. já escrevi testemunhos melhores. menos bêbados também. se agarrar a farrapos para injetar um pouco de vida à nossa literatura, pelo menos nas entrelinhas. uma boa poesia devia reinventar a nossa língua, fazê-la chegar a outros searas, devia dar outro ritmo aos nossos dia-a-dias. esse projeto confessional não tá com nada. entenda a contradição de nossas frases. mas, me desculpa se esse é o único tipo de bilhete que eu sei escrever. me desculpa.
por carlos calenti * 12:51 AM
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vou moer teu cérebro. vou retalhar tuas
coxas imberbes & brancas.
vou dilapidar a riqueza de tua
adolescência. vou queimar teus
olhos com ferro em brasa.
vou incenerar teu coração de carne &
de tuas cinzas vou fabricar a
substância enlouquecida das
cartas de amor.
(música de
Bach ao fundo)
poema do Roberto Piva, de quem ganhei um livro do mano e no qual estou viciado.
por carlos calenti * 12:49 AM
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[Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008]
Vampire (in a Weekend)
Meus livros ficam jogados
na mochila criando
orelhas amassados
pequenos rasgos
nos pequenos pockets
Dentro dos meus livros
inúmeros papéis
bilhetes documentos
flyers de festas que nunca fui
Dentro dos meus livros
me perco escrevo
nos bilhetes amassados
com a dicção
dos parágrafos lidos
Acho tudo muito
perigoso tenho
que ter cuidado
tratar essas palavras
com carinho, mas
cautelosamente
Ou acabo aqui mesmo,
escrevendo na última folha
em branco desse livro com
uma caneta bic
comprada às pressas
na rodoviária,
ainda tentando me entender.
por carlos calenti * 11:03 PM
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[Segunda-feira, Novembro 19, 2007]
Regina
o poema em cima do balcão
à espera de um final
ela chega, olhos azuis,
lábios vermelhos.
all the silly boys have demons
a dose de uísque me encarando
a noite toda
tender is the night,
baby.
enquanto os demônios sobrevoam
o teto do café
zoam da minha cara
autista-fones-brancos
sua voz é doce
eu espero, de alguma forma,
que a vida possa
ter um final decente.
por carlos calenti * 3:53 PM
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[Terça-feira, Novembro 06, 2007]
Diário de viagem
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o esforço é de
levantar a cabeça do livro
e encarar de novo a
cidade que já foi sua
e hoje corre se esconde em
névoas as luzes brilhando
em fila indiana
o caminho que também já foi seu
a orla dramática
o poema no livro que
não consola
o fim latejando a
dois versos:
de repente todas as luzes
pareciam embaçadas
****
Inside Jokes
Antigamente era assim:
perder e encontrar a cidade
toda sexta-feira.
Redefinir essa lama ao nosso redor
a cada novo humor.
Se os cenários eram os mesmos
(e eram),
os tons que decidíamos empregar em
nossos hábitos centenários,
em nossos copos de cerveja,
nos cochichos das mesas
que ocupávamos, é
que transformava absolutamente tudo.
Essa era a brincadeira:
revirar as noites como
faces de um cubo mágico que
nunca solucionamos.
Hoje, no entanto,
não há mais esse frêmito
que antecedia toda sexta-feira
o som ligado
o perfume no ar da noite que
enfrentaríamos a dança
da Vitória certa.
Há o certo langor de
uma cidade que lá fora
não se diz
(precisa ser inventada)
e de um apartamento que
se perde e que se acha a
cada instante.
por carlos calenti * 1:05 AM
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[Segunda-feira, Outubro 08, 2007]
o negócio é não ser poeta
é ir gastando de madrugada
os poucos versos que lhe cabem
pequenas reclamações no blogue como
arremedo definitivo
do que não se leva a sério.
por carlos calenti * 8:01 PM
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[Quarta-feira, Setembro 12, 2007]
22 anos
um futuro blue
amigos espalhados sirgando
resolutos por mares intempestivos e
estar sozinho é isso:
as Bahamas que não chegam
o horizonte de Paramarimbo
seis cervejas e
um pouco de vodka de madrugada ligações
que cruzam o país e denotam
nosso desalento nas contas da
Telemar
nosso medo e a espera de
uma cena que resolva algo
talvez apare duas ou três arestas
promova um encontro
mesmo que sejam
reticências
por carlos calenti * 9:22 PM
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